A lua cheia já inundou meu quarto ontem à noite. Uma lua abençoada num céu claro, que embalou meu sono.
Esta tarde a vi surgir mesmo antes que a noite caísse, gigante entre os prédios da Paulista. Luna Rossa, blue moon, full moon.
lua, estrada nua.
Da varandinha do meu antigo apartamento já não dá pra ver a lua, nem as árvores do Jardim Europa. É tão difícil abrir mão de móveis e quadros e papéis. Guardo entradas de ballet, shows, cartões rabiscados, flores secas.
Guardo agendas de trinta anos, guardo lembranças, guardo o gosto e o desgosto. E guardo o arrependimento das coisas que joguei fora.
Desmontar a casa, a única casa que montei para mim é tão doloroso quanto admitir que não há mais esperança de que tudo seja como antes, feliz.
Olhar a decadência das coisas é como constatar minha própria decadência.
A prova conclusiva é minha saúde abalada por uma dor excruciante nas costas.
Ainda bem que é lua cheia, ainda bem que existe jazz, e que não estou sozinha. E, como já disse Scarlet O'hara "Tomorrow is another day"
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Nada é tão ruim
É tarde. Ou cedo. Ou melhor dizendo, madrugada. O único período de oito horas em que a vida parece fazer sentido, ou, pelo menos, não fazer sentido algum.
Olhar a madrugada ou viver a madrugada de cara limp é uma experiência, no mínimo, enlouquecedora.
Volto pra casa muito, muito melhor que saí. Yeats, Virginia, Walt e ainda um poema de Blake recitado no bar ao lado.
Sim, há vida inteligente na Terra.
Somos muitos, e dá vontade de gritar de alegria, ou escrever. Bem, estou escrevendo.
Gabe. Debbie, Anna. Gente linda.
Olhar a madrugada ou viver a madrugada de cara limp é uma experiência, no mínimo, enlouquecedora.
Volto pra casa muito, muito melhor que saí. Yeats, Virginia, Walt e ainda um poema de Blake recitado no bar ao lado.
Sim, há vida inteligente na Terra.
Somos muitos, e dá vontade de gritar de alegria, ou escrever. Bem, estou escrevendo.
Gabe. Debbie, Anna. Gente linda.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Banho de descarrego
Não sei o que é isso, mas hoje, no auge do desespero, aos soluços ouvi um conselho inusitado. Inusitado pela fonte, uma carola sexagenária. Mandou que eu tomasse um banho de sal grosso...
Realmente é caso de repensar meu já sabido ceticismo. Quando tudo, mas TUDO mesmo começa a dar errado, qualquer teoria matemática sobre probabilidades cai por terra e é hora de...sei lá.
Eu chorei. Chorei até ficar com dó de mim. Chorei até ficar com raiva da minha impotência burguesa.
Chorei também de emoção. Chorei tanto que pareço um beagle. Um beagle sem o pelo macio e as orelhas de desenho animado.
Não me comovi com o consolo da gentilíssima cozinheira da igreja que passa por percalços imensamente maiores que os meus. O problema de quem, como eu, leu mais do que devia e teve Goffredo como professor é não se comover assim...Pensar isnt a gift, its a curse.
Entretanto, porém, todavia...reencontrei uma das pessoas (poucas) que eu
Bull shit
Fenelon surgiu no cyber space. E isso já reverteu my mood. Sempre escolhi mal minhas paixões.
Talvez porque a definição de paixão seja exatamente um estado de privação de racionalidade.
Estúpida ou não, humilhada ou não, não posso negar que durante algum tempo vivi num estado de deslumbramento e quase felicidade. E isso já deveria ser motivo de grande, imensa satisfação.
Tive a graça, o milagre, o feito de viver como uma jovem de 20 anos. E fui extremamente feliz.
Chorar? Nunca mais.
Só tenho que agradecer aos Céus.
Realmente é caso de repensar meu já sabido ceticismo. Quando tudo, mas TUDO mesmo começa a dar errado, qualquer teoria matemática sobre probabilidades cai por terra e é hora de...sei lá.
Eu chorei. Chorei até ficar com dó de mim. Chorei até ficar com raiva da minha impotência burguesa.
Chorei também de emoção. Chorei tanto que pareço um beagle. Um beagle sem o pelo macio e as orelhas de desenho animado.
Não me comovi com o consolo da gentilíssima cozinheira da igreja que passa por percalços imensamente maiores que os meus. O problema de quem, como eu, leu mais do que devia e teve Goffredo como professor é não se comover assim...Pensar isnt a gift, its a curse.
Entretanto, porém, todavia...reencontrei uma das pessoas (poucas) que eu
Bull shit
Fenelon surgiu no cyber space. E isso já reverteu my mood. Sempre escolhi mal minhas paixões.
Talvez porque a definição de paixão seja exatamente um estado de privação de racionalidade.
Estúpida ou não, humilhada ou não, não posso negar que durante algum tempo vivi num estado de deslumbramento e quase felicidade. E isso já deveria ser motivo de grande, imensa satisfação.
Tive a graça, o milagre, o feito de viver como uma jovem de 20 anos. E fui extremamente feliz.
Chorar? Nunca mais.
Só tenho que agradecer aos Céus.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Bailes
Desde muito pequena me lembro do fascínio que o tríduo momesmo exercia sobre mim. Mesmo morando no interior de São Paulo, numa cidade muito pequena, o carnaval existia como um momento mágico.
Minha primeira fantasia foi, obviamente, de Colombina. uma colombina azul. Pequena e gordinha, com direito a pompom no cabelo.
Depois vieram o índio americano, a havaiana, a cigana...Mais tarde a inevitável odalisca (num bloco), a baiana.
Já adolescente, a glória absoluta! Uma fantasia de dançarina de can-can. Como fui feliz aquela noite!
E tola, como toda mocinha aos dezesseis anos, não soube tirar proveito da fantasia mais bonita que uma mulher pode vestir...A de pierrot. Minha mãe e avó se esmeraram na perfeição do traje.
Meu tio Zé me deu metros e metros de cetim de seda pura, seda alva. As camadas de tule em tons de azul salpicadas de lantejoulas, o gorro, as luvas. A face coberta de alvaiade e a lágrima azul cobalto.
Sim, um pierrot digno de capa de revista. Mas que mocinha de dezesseis anos quer passar a noite de folia vestida dos pés à cabeça e ainda por cima com o rosto pintado?
Há décadas não brinco o carnaval, e muito menos uso uma fantasia.
Se bem me recordo, a última vez foi num carnaval memor´´avel em 1985...
Nem que seja para tirar fotografia, nem que seja ou não seja....Amanhã serei colombina ou melindrosa, ou...
Minha primeira fantasia foi, obviamente, de Colombina. uma colombina azul. Pequena e gordinha, com direito a pompom no cabelo.
Depois vieram o índio americano, a havaiana, a cigana...Mais tarde a inevitável odalisca (num bloco), a baiana.
Já adolescente, a glória absoluta! Uma fantasia de dançarina de can-can. Como fui feliz aquela noite!
E tola, como toda mocinha aos dezesseis anos, não soube tirar proveito da fantasia mais bonita que uma mulher pode vestir...A de pierrot. Minha mãe e avó se esmeraram na perfeição do traje.
Meu tio Zé me deu metros e metros de cetim de seda pura, seda alva. As camadas de tule em tons de azul salpicadas de lantejoulas, o gorro, as luvas. A face coberta de alvaiade e a lágrima azul cobalto.
Sim, um pierrot digno de capa de revista. Mas que mocinha de dezesseis anos quer passar a noite de folia vestida dos pés à cabeça e ainda por cima com o rosto pintado?
Há décadas não brinco o carnaval, e muito menos uso uma fantasia.
Se bem me recordo, a última vez foi num carnaval memor´´avel em 1985...
Nem que seja para tirar fotografia, nem que seja ou não seja....Amanhã serei colombina ou melindrosa, ou...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Insanidade temporária
Sim
Confesso. Fui idiota, burra, naive, chorei, beijei, quase implorei.
Crise de meia idade, insanidade, amor...rótulos, nada mais.
Tudo passa, até uva-passa.
O primeiro amor passou, o segundo amor passou, mas o coração continua...
Dói? Claro.
Mais que a morte, mais que maratona do Faissbinder, mais que tudo.
Mas sou bravo, sou forte, sou filho do norte,
Guerreiras ouvi!
Passa, viu . E toda moça after Women´s Lib tem dessas recaídas..
Mas passa, e eu vou passar m,elhor.
Jane Austen, Dorothy Parker, Clarice, its enough
A temporada de caça mal começou
e eu já resolvi meu momento "mocinha"
Salve Salve
Salve Iemanjá
e Luz Acedo
a mulher mais bonita e interesante do Brasil!
Bacio
Confesso. Fui idiota, burra, naive, chorei, beijei, quase implorei.
Crise de meia idade, insanidade, amor...rótulos, nada mais.
Tudo passa, até uva-passa.
O primeiro amor passou, o segundo amor passou, mas o coração continua...
Dói? Claro.
Mais que a morte, mais que maratona do Faissbinder, mais que tudo.
Mas sou bravo, sou forte, sou filho do norte,
Guerreiras ouvi!
Passa, viu . E toda moça after Women´s Lib tem dessas recaídas..
Mas passa, e eu vou passar m,elhor.
Jane Austen, Dorothy Parker, Clarice, its enough
A temporada de caça mal começou
e eu já resolvi meu momento "mocinha"
Salve Salve
Salve Iemanjá
e Luz Acedo
a mulher mais bonita e interesante do Brasil!
Bacio
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Farol
A sobriedade é como o K-2 uma viagem quase lisergica. O amor é como as escarpas do Inferno de Dante.
E eu já conheci Creonte. Portanto, não há rio ou pântano ou Mariza que possam me deter. Como todo alpinista, não sei se chegarei ao cume. Depende do tempo , da deusa, e das minhas decisões...
Não sei o que faz os outros levantarem da cama. As vezes (muitas vezes) é mais dificil que subir a Mantiqueira.
Comecei a acreditar (mesmo) que a fé e a verdade no coração fazem milagres.
Nunca vou deixar de crer em Dragôes e em Cavaleiros, em princesas e príncipes, em verdade e justiça.
Na minha loucura existe algo real. O bom prevalece. Meu irmão vem me salvar...meu príncipe e como toda fábula diz...Seja boa, o coração limpo é digno da magia.
vou dormir sabendo que meu princípe virá...
E eu já conheci Creonte. Portanto, não há rio ou pântano ou Mariza que possam me deter. Como todo alpinista, não sei se chegarei ao cume. Depende do tempo , da deusa, e das minhas decisões...
Não sei o que faz os outros levantarem da cama. As vezes (muitas vezes) é mais dificil que subir a Mantiqueira.
Comecei a acreditar (mesmo) que a fé e a verdade no coração fazem milagres.
Nunca vou deixar de crer em Dragôes e em Cavaleiros, em princesas e príncipes, em verdade e justiça.
Na minha loucura existe algo real. O bom prevalece. Meu irmão vem me salvar...meu príncipe e como toda fábula diz...Seja boa, o coração limpo é digno da magia.
vou dormir sabendo que meu princípe virá...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Medo
Arrumei meus livros. Fui ao dentista. Tentei, de verdade, me emendar. Acendi vela, paguei as contas.
Até fui honesta quanto a minha canalhice.
E uma britadeira debaixo da minha janela foi a resposta divina.
Quatro horas da manhã...Onze horas diante do monitor. Livros arrumados, casa limpa, roupas no armário ou no varal.
Que mais querem de mim?
Posso recitar Navio Negreiro, fazer lasagna, jejuar...
Madrugadas já foram mais divertidas.
Até fui honesta quanto a minha canalhice.
E uma britadeira debaixo da minha janela foi a resposta divina.
Quatro horas da manhã...Onze horas diante do monitor. Livros arrumados, casa limpa, roupas no armário ou no varal.
Que mais querem de mim?
Posso recitar Navio Negreiro, fazer lasagna, jejuar...
Madrugadas já foram mais divertidas.
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