A lua cheia já inundou meu quarto ontem à noite. Uma lua abençoada num céu claro, que embalou meu sono.
Esta tarde a vi surgir mesmo antes que a noite caísse, gigante entre os prédios da Paulista. Luna Rossa, blue moon, full moon.
lua, estrada nua.
Da varandinha do meu antigo apartamento já não dá pra ver a lua, nem as árvores do Jardim Europa. É tão difícil abrir mão de móveis e quadros e papéis. Guardo entradas de ballet, shows, cartões rabiscados, flores secas.
Guardo agendas de trinta anos, guardo lembranças, guardo o gosto e o desgosto. E guardo o arrependimento das coisas que joguei fora.
Desmontar a casa, a única casa que montei para mim é tão doloroso quanto admitir que não há mais esperança de que tudo seja como antes, feliz.
Olhar a decadência das coisas é como constatar minha própria decadência.
A prova conclusiva é minha saúde abalada por uma dor excruciante nas costas.
Ainda bem que é lua cheia, ainda bem que existe jazz, e que não estou sozinha. E, como já disse Scarlet O'hara "Tomorrow is another day"
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
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