quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Voz e violão

Meu ombro dói. As pernas nem tanto. Aquele velho, bom e fiel joelho resolveu não incomodar. 
Estou acostumada a lidar com minhas dores. Incômodos que já fazem parte de mim. Ossos do ofício. No caso meu ofício é viver de forma um tanto atabalhoada e canhestra.
Mas, para meu espanto e júbilo o coração já não dói. Nem um tiquinho.
A manhã nasceu cinzenta, chuviscosa, do jeito que eu gosto. São Paulo, minha cidade adorada está me tratando como uma amante zelosa. Todo amante fica mais atencioso quando se sente ameaçado.
Amantes, namorados, apaixonados...como somos todos tolos e patéticos.
Mas meu coração não dói. Curou-se.
Estou pasma. Nem assim tão pasma. Só feliz com a garoa. 
Não diria feliz. 
Diria sim. Aliás digo. Estou feliz. Com a garoa. Com a não garoa. Comigo. Com a cidade.


domingo, 22 de setembro de 2013

Desastre

Não. Você não vai me fazer mudar de calçada. Ou chorar olhando para uma lula.
Não. definitivamente não.
A escova de dentes ainda não consegui jogar fora. Afinal é um lembrete útil para evitar futuros desastres. Porque você foi um desastre. Um avião que caiu sobre um orfanato.
Eu, que me julgava tão esperta, tão safa acabei assim...Como uma garota coadjuvante de filme B.
Ou, a Rita Hayworth em Pal Joe.
Mas passa. Aliás já passou.
O porre já passou. E a ressaca a gente cura com cerveja gelada, duas aspirinas e uma tarde debaixo dos lençóis.
Mas não, você não vai me fazer mudar de bar. Fique com tudo, até com as lembranças. Mas aquele balcão é único. Leve tudo, até meu coração. Que, por sinal já não serve para nada. 
Leve os Cds do Rostropovsky tocando Bach. Leve a assinatura da Osesp.
Mas o bar não. Leve os amigos. Leve a minha risada, deixe o sarcasmo que franze o canto da minha boca.
Mas o balcão do bar é meu. O bar é meu.  E disso, meu caro, eu não abro mão.



domingo, 4 de agosto de 2013

Saco de Ratos

Existe sim...não brigue...existe vida. 
Existem vidas, eu, por exemplo, devo estar na quinta, sexta? 
Eu ADORO a banda Saco de Ratos.
De repente, não mais que de repente, eu saio de casa ando duas quadras e a felicidade está lá.
Eles são maravilhosos. Juntos. Em duplas. Ou trios. E são gentis. E são brilhantes.
A Round Table da Mariane.


Tudo bem

Quatro horas da manhã. Sim. Quatro horas e nove minutos. Hora de gente estar na cama. Dormindo. Mas precisei respirar fundo algumas vezes para me dar conta do óbvio.
Aliás, o óbvio é discutível. Não, não é senão não seria o óbvio.
Estou em casa. Na minha casa. E está tudo certo. Ou quase certo. Está mesmo tudo certo.
Afinal de contas, quando não pintei os olhos como de costume já sabia.
No fundo eu sempre sei. 
Mas está tudo certo. Ou quase certo. Está tudo bem.




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Round Table

Round Table. Não confundir com rei Arthur e cavaleiros com armaduras brilhantes. Se bem que há uma similaridade. Eu me refiro ao Algonquin. Dorothy Parker e companhia. E que companhia.
Pessoas, algumas pessoas, as minhas pessoas, são gregárias. Eu preciso de gente para continuar viva. Todos os meus livros e cds são a prova disso.
Eu tenho meu Algonquin particular. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Não sou Pollyanna

Ganhei um single malt 16 anos. Glen Deveron. Que tipo de mulher escolhe uma bebida e não um perfume?
Este tipo de mulher.
Troco batons por livros, e potenciais namoros por amigos.
Afinal sou uma mulher que agradece aos Céus (mas especialmente aos amigos) ter a bolsa e a dignidade de volta.
E um perfume eu não poderia jamais dividir com as pessoas mais legais dos últimos seis(?) meses.
Não sou Pollyanna...mas também não sou Dorothy Parker. Nem Billie.
Acho que sou eu mesma. E basta.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Urgência

O barulho das bolas de bilhar batendo umas contra as outras chega até aqui, onze andares acima. Uma premência me assola. O ruído é quase um chamado.
Eu atendo e desço. Vou ver quem empunha os tacos.
Quem está ao redor da mesa verde.
Uma versão menos romântica de "Ronda".
Quem resiste ao chamado? Certamente não eu.
A madrugada fria me recebe bem. Já estou de volta.
Mas sempre que a rua me chamar, não tenha dúvida, eu irei.