quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Voz e violão

Meu ombro dói. As pernas nem tanto. Aquele velho, bom e fiel joelho resolveu não incomodar. 
Estou acostumada a lidar com minhas dores. Incômodos que já fazem parte de mim. Ossos do ofício. No caso meu ofício é viver de forma um tanto atabalhoada e canhestra.
Mas, para meu espanto e júbilo o coração já não dói. Nem um tiquinho.
A manhã nasceu cinzenta, chuviscosa, do jeito que eu gosto. São Paulo, minha cidade adorada está me tratando como uma amante zelosa. Todo amante fica mais atencioso quando se sente ameaçado.
Amantes, namorados, apaixonados...como somos todos tolos e patéticos.
Mas meu coração não dói. Curou-se.
Estou pasma. Nem assim tão pasma. Só feliz com a garoa. 
Não diria feliz. 
Diria sim. Aliás digo. Estou feliz. Com a garoa. Com a não garoa. Comigo. Com a cidade.